Para quando você se for
22/06/2007

Um texto que escrevi hoje:
Não quero te esquecer, mesmo que o tempo, implacável, me obrigue
Quero ser o primeiro a relembrar as coisas boas que vivemos e o último a criticar essas mesmas coisas quando elas deram errado
Ainda vou te ligar muitas vezes para pedir conselhos que só você soube dar
Na hora de mudar um quadro lá de casa, vou querer que você esteja por perto
Na hora de cortar o cabelo, quero que você seja o primeiro a comentar sobre meu novo visual
Suas palavras, sempre tão relevantes, continuam refletindo no que eu faço e no que eu sou
Algumas pessoas, pelo menos aquelas que costumam se dizer imbatíveis, tendem a renegar o passado
Eu não tenho medo do que já vivi e insisto em cutucar o futuro com olhos inocentes
Hoje, você só tem olhos para esse mesmo futuro que um dia teve medo de vislumbrar
Não olha para mim como olhava antes, mas sabe que minha presença no seu dia-a-dia continua inegavelmente forte
Diz: “Estou bem, obrigado”, mas logo emenda: “Ah, como é duro estar sozinho”
“Eu não vou morrer solteiro”, você brincava
Eu ria, feliz da vida em saber que eu poderia ser sua eterna companhia
“Não quero ter filhos”, você dizia, e eu retrucava: “Mas você seria um pai exemplar!”
Mas uma coisa que ambos concordávamos era: Iríamos dar a volta ao mundo, com ou sem dinheiro, “fazendo mochilão”, você frisava, “dormiremos nos bancos das estações de trem”, completava, deliciosamente sonhador
Quando você se for
Me procure para conversar, mesmo que só reclamemos de nossa rotina
Quando você se for
Me convide para sair (pode ser para um papo rápido, não faz mal)
Quando você se for
Lembre-se de mim como se eu fosse um lugar distante que jamais conheceu
Porque, quando você se for, mesmo que a tristeza tome conta de mim, vou agradecer aos deuses por você ter existido
| Escrito por Paco Llistó às 15h38 | ![]() |
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Alta Tensão
21/06/2007
Eu gosto dos venenos mais lentos
dos cafés mais amargos
das bebidas mais fortes
e tenho
apetites vorazes
uns rapazes
que vejo passar
eu sonho
os delírios mais soltos
e os gestos mais loucos que há
e sinto uns desejos vulgares
navegar por uns mares
de lá
você pode me empurrar pro precipício
não me importo com isso
eu adoro voar.
(Bruna Lombardi)
| Escrito por Paco Llistó às 18h30 | ![]() |
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Fé, ICM e Aids
19/06/2007
As religiões monoteístas, principalmente a católica, têm em suas bases dogmáticas o confronto entre a moral e a fé. Para preservar seus fiéis e atrair outros, costumam definir pecado como aquilo que não pertence aos seus “ensinamentos”. Mas o que é pecado? Aquilo que não gera dinheiro e, portanto, poder? Dois homens que se amam não podem professar sua fé simplesmente porque não procriam e, assim, não contribuem para a perpetuação da humanidade?
O Reverendo Gelson Piber, da Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM), acaba de me enviar um artigo que traz uma visão mais humana e tolerante sobre Deus. Por uma questão de espaço, editei o texto, mas quem quiser pode lê-lo na íntegra no site www.icmbrasil.org, na seção “A ICM e a Aids”.
Hiv/aids: É um castigo de Deus?
Um enfoque cristão de Fé, Esperança e Amor
O hiv/aids é um castigo de Deus?
A resposta, para muitos homens e muitas mulheres que têm fé em Deus, é simplesmente, não! Definitivamente não! Porém algumas pessoas seguem respondendo que "sim". De fato, alguns dos ou algumas das, que vivem uma religiosidade conservadora radical e fundamentalista equivocada e incapazes de amar e compreender o amor de Deus e Sua ação amorosa na vida das pessoas, dão graças à Deus por esta trágica epidemia que está atingindo a vida de milhões de seres humanos em todas as partes do mundo.
Devido a que o hiv/aids, nos primeiros anos da epidemia, foi associado com a comunidade homossexual masculina no mundo ocidental, muitos e muitas membros da ultradireita religiosa têm usado esta pandemia como uma arma para promover seus próprios planos homofóbicos. A idéia de que o hiv/aids é um castigo de Deus se baseia em três falsas concepções: 1.- Que os atos homossexuais são pecaminosos; 2.- Que Deus envia o sofrimento; e 3.- Que Deus castiga com enfermidades aos pecadores e às pecadoras. Estas falsas suposições são o resultado de uma particular forma de entender e conceber a sociedade, a sexualidade e a maneira com que Deus atua no mundo.
Vejamos cada um desses pontos:
São pecaminosos os atos homossexuais?
Se têm dito que existem algumas passagens na Bíblia onde se condenam os atos homossexuais. Atualmente há muita controvérsia sobre isso, já que um número crescente de especialistas na Bíblia estão convencidos de que estas passagens condenam somente os atos sexuais vinculados com a idolatria e o uso e o abuso que se faz das pessoas em certas atividades sexuais.
Jesus não disse nada condenado a homossexualidade. Ao contrário, falou muito sobre fé, esperança, amor, compaixão e solidariedade. (...) Os homens e as mulheres de fé, não importando sua orientação sexual, necessitam reconhecer e aceitar de coração que o sexo não é pecado, e sim um Dom de Deus, e por isso estão chamados e chamadas a celebrar e confirmar a Benção de Deus nos seus corpos e a Bondade inerente na sua sexualidade.
Deus envia o sofrimento?
(...) Muitas vezes os seres humanos sofremos sem ter nenhuma culpa, como se o mundo fosse um lugar injusto para se viver. O hiv/aids é de verdade uma tragédia, mas com certeza não provém da vontade de Deus, e Deus mesmo sofre com quem vive com hiv/aids, quando são estigmatizados e excluídos, e com quem perdeu seus seres queridos por causa dessa doença. Deus não provoca tragédias. Deus responde ao sofrimento com cura...
Os pecadores são castigados com enfermidades?
(...) Não existe nenhuma justificativa para sugerir que Deus tenha julgado negativamente a comunidade LGBT. Tampouco para dizer que Deus tenha enviado o hiv/aids como castigo. Seria como perguntar se acaso todas as mulheres com câncer de mama são vítimas da ira de Deus, ou se aqueles e aquelas que têm ascendência africana são castigados e castigadas com anemia falsiforme. Acaso os judeus fizeram algum mal para merecer a doença de Tay-Sachs?
| Escrito por Paco Llistó às 15h55 | ![]() |
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Dia do Orgulho Hétero?
18/06/2007
Foto gentilmente cedida por Sérgio Ripardo (sergio.ripardo.blog.uol.com.br)
O relato abaixo foi enviado, com exclusividade para este blog, por Bruna Angrisani, colunista do Mix. Ela passava pela Paulista no momento em que alguns "héteros" faziam sua "manifestação", equivocadamente intitulada "Parada Hétero". Eu só lamento tamanha ignorância de gente desocupada.
"Era um domingo ensolarado, dia apropriado para passear com a namorada e almoçar na casa das amigas. Saímos de casa por volta das 16h para pegar um ônibus na avenida Paulista, sentido Consolação. Da janela do ônibus dava para perceber que algo impedia a passagem normal dos veículos no trecho em frente ao MASP.
Quando o motorista conseguiu avançar, vimos um grupo de aproximadamente 30 jovens que pareciam acabar de sair da faculdade, com cervejas na mão e mochilas nas costas. Pensamos que deveria ser algum protesto de estudantes da USP, antes fosse. A maioria de homens empunhava uma faixa amarela com os seguintes dizeres: “1ª Parada do Orgulho Hétero – Muitos são, poucos se orgulham”. Ficamos sem entender o que estava acontecendo por alguns instantes de tão surreal que nos parecia.
Quando o nosso ônibus passou, eles aproximaram a faixa para mostrar os dizeres aos passageiros e arrancaram risos de muitos que faziam o mesmo percurso que a gente. Um deles levantou-se para fazer um aceno de apoio ao pequeno grupo. Isso foi o que mais nos assustou. Descemos do ônibus tentando imaginar o que os “héteros” estariam reivindicando a ponto de organizarem uma manifestação. O que era para ser um dia normal com um encontro rotineiro de amigas, tornou-se quase um debate acerca desta questão. Nesta mesma tarde, ficamos sabendo de um caso de três conhecidas que foram agredidas fisicamente na rua Augusta. Diante de tanta violência contra homossexuais, o questionamento central da conversa incessantemente era: “Por que tanta violência e o que os héteros reivindicam?”.
Para completar, horas depois, quando já estávamos na rua, toca o telefone de uma de nossas amigas e ela desligou chorando dizendo que sua irmã havia sido agredida por skinheads. E o que era para ser um dia ensolarado, apropriado para passear com a namorada, azedou! Gosto de impunidade e hipocrisia, mais ainda quando lemos na internet que os organizadores da Parada Hétero buscam autorização da Prefeitura para realizar shows no ano que vem e atrair mais público. Depois que o Kassab rejeitou o projeto de lei contra a homofobia (PLC 122/2006), não dá para duvidar que isso pode acontecer! E a pergunta que não quer calar ainda ecoa. O que os héteros reivindicam?"
Mayra e Bruna
Soube depois que os "manifestantes" também pediam "liberdade" e protestavam contra o dinheiro público investido na parada. Se fosse assim, gostaria de tornar pública minha reclamação contra os investimentos realizados pela prefeitura no réveillon da Paulista, na Fórmula 1, na São Silvestre etc, etc...
Como se não bastasse, existe uma comunidade no orkut intitulada "Dia do Orgulho Hétero" com mais de 120 membros. Na apresentação, há comentários claramente homofóbicos, que merecem ser denunciados.
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E-mails para este blog: blogdopaco@bol.com.br.
| Escrito por Paco Llistó às 18h23 | ![]() |
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Intolerância
Mais um relato abominável envolvendo violência contra GLBT. Esse caso aconteceu com a irmã de uma amiga, no último sábado, 16 de junho, em São Paulo.
"No sábado, 18 de junho, minha irmã, que tem apenas 17 anos, foi agredida por skinheads dentro da pizzaria Vitrine, localizada na Rua Augusta. Ao pagar a conta junto a mais três amigas e se dirigir à porta de saída, seis homens, aparentemente comuns, começaram a abusar de duas delas, passando a mão na bunda e pegando pelo corpo. Ao ouvir reclamações das amigas, minha irmã virou-se para trás para ver o que estava acontecendo e foi surpreendida com um soco na cara dado por um deles, que a levantou e segurou pela jaqueta. Nervosa, ela começou a questioná-lo do por que de tudo isso. Ele a largou, e os amigos dele começaram a rir, dizendo que foi um engano, e que ele havia a confundido com um “homem”. Depois disso, outras pessoas se envolveram para defendê-la. Ela saiu do local e chamou a polícia.
Quando a polícia chegou, ela mostrou quem eram. O agressor e os amigos já estavam consumindo normalmente no mesmo local, como se nada tivesse acontecido. A polícia entrou armada, apontando as armas, e os levaram para fora do local, fazendo uma geral. Um dos policiais foi conversar com ela, perguntando se ela era de banda feminista. Ela disse que sim, e ele respondeu dizendo que então esse seria o provável motivo. Nenhum dos seis homens envolvidos tinha visual e em momento nenhum falaram ser skinheads, mas sabemos que são, pois conhecemos o histórico do agressor, que já ameaçou outras conhecidas.
O policial alertou que a vitima teria duas opções: eles poderiam levar o agressor para a DP mais próxima, e ela faria o B.O., ou então ele dava o nome e o RG do agressor, e depois ela faria o boletim depois. Suspeito que o policial não foi imparcial dando essas opções a ela pois, ao falar da primeira opção, ele acrescentou que havia cinco outros boletins para serem feitos na frente, e que era mais fácil ela tentar depois. Com medo e nervosa, ela aceitou, pegando os dados do agressor e indo embora sem nenhuma escolta ou ajuda da polícia.
Além disso, vale a pena ressaltar que em momento nenhum foi oferecida ajuda à vítima. Ligamos na Delegacia da Mulher, onde não souberam me explicar nem ajudar em nada, me dando telefones e mais telefones onde eu poderia procurar ajuda, e não chegamos a lugar nenhum. Com ajuda da Associação da Parada do Orgulho GLBT, conseguimos o telefone do Decradi, onde a Dra. Margarette delega. Ainda não temos novidades. Estamos fazendo o contato. Quem se interessar e quiser saber mais sobre o caso, entre em contato."
A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), sob o comando da delegada Margarette Barreto, costuma registrar esses casos. O tel é (11) 3315-0151 (ramal 248) e o e-mail é delitosintolerancia@ig.com.br. A maioria das ONGs também recebe esse tipo de denúncia e a encaminha para os órgãos responsáveis.
| Escrito por Paco Llistó às 12h57 | ![]() |
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Boas e más notícias
Para celebrar ou lamentar...
Santa ignorância:
"Carne de porco provoca homossexualidade", diz site muçulmano
Mais um avanço:
Cientistas identificam nova proteína que inibe infecção por vírus da Aids
Alguém esqueceu de avisar a eles que a parada gay reuniu 3,5 milhões de pessoas:
Parada Hétero pede "liberdade" e critica dinheiro público na Parada Gay
Milícia gay:
Grupo de gays espanca jovens homofóbicos em Moscou
Sobre a "parada hétero", a colunista do Mix Brasil, minha amiga Bruna Angrisani, vai me enviar ainda hoje suas impressões e eu prometo postá-las aqui.
| Escrito por Paco Llistó às 12h32 | ![]() |
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